quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

DEFICIÊNCIA AUDITIVA

DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Há alguns anos atrás ser portador de uma deficiência eram motivos de rejeição, discriminação e preconceito e para muitos um castigo ou um atributo dado por Deus. Em conseqüência disso, não havia preocupação em organizar serviços para atendimento ao considerado “incapacitado”, ao “deficiente”.
As políticas públicas destinadas aos alunos portadores de necessidades educacionais especiais articularam um novo significado e uma forma particular de encarar a Educação Especial escolar em nível nacional, com discussões a respeito do entendimento desta proposta inclusiva, no seu verdadeiro sentido (integração escolar, inclusão e escola inclusiva), como nos mostra, conforme consta na Declaração de Salamanca:
A tendência da política social durante as duas últimas décadas foi a de fomentar a integração e a participação e de lutar contra a exclusão. A integração e a participação fazem parte essencial da dignidade humana e do gozo e exercício dos direitos humanos. No campo da educação, essa situação se reflete no desenvolvimento de estratégias que possibilitem uma autêntica igualdade de oportunidades (1997, p. 23).

A inclusão educacional não pode ser entendida como o simples ato da aceitação da matricula de um educando na escola regular.
A Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Afirma que: “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações culturais”.
A simples aceitação das diferenças e a oportunidade de acesso à classe comum não determinam e nem contribuem de forma consistente para elaboração do projeto pedagógico e não asseguram a inclusão escolar dos alunos com acentuadas necessidades educacionais especiais. O processo de aprendizagem desses alunos requer modificações. Para isso, faz-se necessária uma análise crítica das relações interpessoais e intrapessoais vividas na escola; modificações espaço temporais, didático pedagógicas e organizacionais que garantam a promoção da aprendizagem e a adaptação desses alunos ao grupo.
É sabido que a Educação especial vem se tornando prioridade em nosso pais, desde a Constituição Federal de 1988, como também na Lei 9394/96 LDB, e nos pareceres e resoluções do Conselho Nacional de educação e pelos documentos elaborados pelo Ministério da Educação através da Secretaria de Educação Especial, em um desses documentos registra o conceito de Educação especial.
Modalidade da educação escolar. Processo educacional definido em uma proposta pedagógica, assegurando um conjunto de recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica. (PCN – Documento Adaptações Curriculares para Educação Especial, 2001, p. 21).

Sabe – se que a deficiencia não é um fenômeno de nossos dia, sempre existiram e existirão.
As pessoas com deficiências são tratadas com discriminação e preconceito em nossos dias, em quase todas as culturas.
É necessário desvincular a deficiência do conceito de doença, a formação do auto conceito da pessoa com deficiência pode ser prejudicada pelas experiências repetidas de insucesso e pelos efeitos do preconceito.
DEFICIÊNCIA AUDITIVA:
CONCEITO:
Perda total ou parcial, congênita ou adquirida, da capacidade de compreender a fala por meio do ouvido. Manifesta-se como:
• Surdez leve: de 16 a 40 dB.
• Surdez moderada: de 41 a 55 dB.
• Surdez acentuada: de 56 a 70 dB.
• Surdez severa: de 71 a 90 dB.
• Surdez profunda: acima de 91 dB.
CAUSAS:
Pré-natais, Perinatais e Pós-natais:
CARACTERÍSTICAS :
Dificuldade na pronúncia das palavras;
Preguiça ou desânimo;
Ausência de respostas aos chamados;
Inclinação da cabeça do aluno com o objetivo de ouvir melhor;
Utilização de palavras que apresentem inadequações ou erros para a faixa etária do aluno;
Desinteresse por atividades ou jogos em grupo;
Vergonha, retração, ou desconfiança excessivas;
Solicitações freqüentes de repetição do que foi dito;
Inadequação no volume de voz do discente.
PROCEDIMENTOS PEDAGÓGICOS :
Colocar o aluno surdo sentado na primeira fileira, afim de que ele possa fazer a leitura daquilo que está sendo dito, sem dificuldade;
Instruir sempre com o apoio de recursos visuais;
Promover a integração com os demais alunos em todas as atividades;
Falar sempre para a criança;
Explicar o significado de cada conceito e palavra nova que surgir no decorrer da aula;
Manter contato com professores especializados.
LIBRAS
É a sigla de Língua Brasileira de Sinais que é uma das muitas línguas de sinais que o mundo possui que utilizam a modalidade visual-gestual, e não oral auditiva como as línguas orais.
Visual-gestual, pois utiliza a visão para captar a mensagem e movimentos, principalmente das mãos, para transmiti-la. Esta língua, como todas as outras línguas sinalizadas, foi criada na comunidade surda e passada de geração em geração.
LINGUAGEM: Material lingüístico ou meio que uma pessoa utiliza para comunicar-se. Conjunto ordenado de palavras ou sinais que transmitem significados.
LÍNGUA: Modo de ordenar palavras ou sinais de um sistema convencionado.
Não é uma língua mundial;
Como a Língua Portuguesa, foi constituída a partir das relações sociais estabelecidas por um grupo, os surdos;
Canal de comunicação: VISUAL-GESTUAL;
Obedece aos traços culturais de sua comunidade;
Apresenta variações de comunicação;
Apresenta todas as características de uma Língua.
Percebe-se que, por muito tempo a política educacional para surdos ficou reduzida a uma questão de escolha da modalidade lingüística a ser implementada nos projetos escolares. Nos últimos anos, esse debate vem ampliando-se e assumindo uma complexidade a partir da enunciação de outras marcas da diferença surda estimuladas, principalmente, pela aproximação com o campo dos Estudos Culturais, da Pedagogia da Diferença e das produções vinculadas aos chamados Estudos Surdos que ganharam visibilidade na educação de surdos a partir do tensionamento dos movimentos sociais surdos, de suas lideranças e de pesquisadores da área, nos debates sobre os rumos das políticas educacionais, sociais e culturais desses grupos.
Portanto é possível integrar os portadores de necessidades auditivas com as novas mídias, e só através de investimentos pode-se verdadeiramente ter esta acessibilidade, dando um novo significado a aprendizagem destes alunos.

REFERÊNCIAS

BRASIL. CONSTITUIÇÃO 1998
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA e Linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: CORDE, 1997.
FENEIS. Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos. Que Educação nós surdos queremos: Documento do Pré-Congresso — V Congresso Latino Americano de Educação Bilíngüe para Surdos. Porto Alegre/UFRGS: 1999.
LEI DE DIRETRIZES E BASE DA EDUCAÇÃO (LDB)- Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996.
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Documento Adaptações Curriculares para a Educação Especial. Brasília: MEC, Secretaria de Educação Especial, 2001.

3 comentários:

  1. Olá Francisco, gostei muito do seu trabalho sobre deficiência auditiva.Parabéns!
    Abraço, Núbia

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  2. Olá professor Sousa, Está de parabéns! De fato,estudar a educação escolar das pessoas com surdez nos reporta não só a questões referentes aos seus limites e possibilidade,como também aos preconceitos existentes nas atitudes da sociedade para com elas.
    Portanto, a Constituição garante a todos o direito à educação e ao acesso à escola. Toda escola, assim reconhecida pelos órgãos oficiais como tal, deve atender aos princípios constitucionais, não podendo excluir nenhuma pessoa em razão de sua origem,raça, sexo,cor, idade,deficiência ou ausência dela.
    Todos esses direitos devem fazer parte da vida de qualquer pessoa, em qualquer lugar no país.Caso surjam problemas, o mais indicado é procurar o responsável pela instituição que oferece o serviço, seja na área da educação, saúde, trabalho ou outra.( Atendimento Educacional Especializado- Eugenia Augusta Gonzaga Fávero,Luísa de Marillac P. Pantoja e Maria Teresa Eglér Montoan).
    Marlene Moreira (lenemoreira3.blogspot.com/

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  3. Professor Sousa, realmente o professor em sala de aula tem que ter agilidade na observação de algum aluno possua este tipo de deficiência, até porque o aluno apresenta-se normal quanto aos outros e as vezes não há como identificar de imediato, portanto temos que investigar o aluno junto a família no caso do mesmo não acompanhar as atividades escolares.

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